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14 de janeiro de 2013
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Redes Subterrâneas

Concessionárias avançam no uso de MND

Utilizando métodos não-destrutivos, empresas como Sabesp e Comgás evidenciam como as tecnologias podem ser economicamente atrativas na instalações de redes

Duas concessionárias paulistas de serviços públicos, Comgás e Sabesp mostram como o uso de métodos não-destrutivos (MND) vem literalmente ganhando terreno no país. Na primeira, mais de 90% das obras de expansão de distribuição de gás realizadas em 2011 utilizaram a tecnologia. Ao todo, foram cerca de 1.200 km de novas redes, segundo Laércio Piva, superintendente de expansão da Comgás.

Até setembro de 2012, o número de redes instaladas também foi significativo, atingindo 918 km. E a previsão era que, até o final do ano, o número chegasse a 1.250 km. “O MND é muito importante, pois é mais prático e causa menos impacto urbano”, avalia Piva. Para ele, desde o ano 2000 a adoção do MND tem sido bastante intensiva e um dos fatores mais positivos no período foi o crescimento de empresas que passaram a trabalhar com a tecnologia. Piva argumenta que a qualificação das companhias também foi incrementada ao longo dos doze anos que a empresa usa o MND.

Evolução

O impacto ambiental, com a reduzida geração de resíduos, é outro aspecto que contou pontos a favor da tecnologia na Comgás. “Há uma diferença brutal entre o uso dos métodos não-destrutivos e da abertura convencional de valas”, afere Piva. “As calçadas ficam intactas, os reparos são reduzidos ao mínimo, assim como a intervenção no trânsito e no entorno da obra é bem menor.”

Piva lembra ainda que, antes do uso mais intenso a partir do começo da década de 2000, a metodologia já era amplamente conhecida e usada fora do país, com aplicação em redes menores e usando máquinas de menor porte, se comparadas às atuais.

A infraestrutura dos dutos da empresa inclui redes de polietileno com diâmetro de 20 mm a 250 mm. O duto médio, no entanto, varia entre 63 mm e 125 mm de diâmetro, o que significa o uso de máquinas de perfuração horizontal direcional (HDD) menores e mais ágeis, com facilidade de mobilização de um canteiro a outro. Com isso, a previsão da empresa é instalar outros 1.250 km de rede canalizada em 2013, mantendo o nível de MND entre 90% e 95% do total.

Todas as companhias que participam desse tipo de projeto na Comgás precisam ser qualificadas, processo que se estende, inclusive, às subcontratadas. Além da gestão em si, cada empreiteira precisa comprovar que pode atender as normas do setor. Em termos de planejamento, P


Duas concessionárias paulistas de serviços públicos, Comgás e Sabesp mostram como o uso de métodos não-destrutivos (MND) vem literalmente ganhando terreno no país. Na primeira, mais de 90% das obras de expansão de distribuição de gás realizadas em 2011 utilizaram a tecnologia. Ao todo, foram cerca de 1.200 km de novas redes, segundo Laércio Piva, superintendente de expansão da Comgás.

Até setembro de 2012, o número de redes instaladas também foi significativo, atingindo 918 km. E a previsão era que, até o final do ano, o número chegasse a 1.250 km. “O MND é muito importante, pois é mais prático e causa menos impacto urbano”, avalia Piva. Para ele, desde o ano 2000 a adoção do MND tem sido bastante intensiva e um dos fatores mais positivos no período foi o crescimento de empresas que passaram a trabalhar com a tecnologia. Piva argumenta que a qualificação das companhias também foi incrementada ao longo dos doze anos que a empresa usa o MND.

Evolução

O impacto ambiental, com a reduzida geração de resíduos, é outro aspecto que contou pontos a favor da tecnologia na Comgás. “Há uma diferença brutal entre o uso dos métodos não-destrutivos e da abertura convencional de valas”, afere Piva. “As calçadas ficam intactas, os reparos são reduzidos ao mínimo, assim como a intervenção no trânsito e no entorno da obra é bem menor.”

Piva lembra ainda que, antes do uso mais intenso a partir do começo da década de 2000, a metodologia já era amplamente conhecida e usada fora do país, com aplicação em redes menores e usando máquinas de menor porte, se comparadas às atuais.

A infraestrutura dos dutos da empresa inclui redes de polietileno com diâmetro de 20 mm a 250 mm. O duto médio, no entanto, varia entre 63 mm e 125 mm de diâmetro, o que significa o uso de máquinas de perfuração horizontal direcional (HDD) menores e mais ágeis, com facilidade de mobilização de um canteiro a outro. Com isso, a previsão da empresa é instalar outros 1.250 km de rede canalizada em 2013, mantendo o nível de MND entre 90% e 95% do total.

Todas as companhias que participam desse tipo de projeto na Comgás precisam ser qualificadas, processo que se estende, inclusive, às subcontratadas. Além da gestão em si, cada empreiteira precisa comprovar que pode atender as normas do setor. Em termos de planejamento, Piva explica que a expansão tem sido estudada com, pelo menos, um ano e meio de antecedência, o que permite avaliar todas as interferências que existem nos locais onde acontecerá a perfuração.

Por padrão, a concessionária elabora o projeto básico e participa intensamente do projeto executivo, avaliando os planos de perfuração. “Nenhuma obra é liberada antes de termos o projeto executivo elaborado”, explica Piva.

Embora os dados de referência de redes subterrâneas que a empresa receba não sejam atualizados constantemente, o executivo da Comgás lembra que as tecnologias de mapeamento também evoluíram. “Solicitamos todas as informações sobre interferências antes de qualquer obra e fazemos um acompanhamento de campo para confirmar os dados”, detalha Piva.

Cada projeto em execução é fiscalizado pela concessionária, que realiza visitas técnicas para validar o plano de furo. No final da implementação, é gerada uma documentação atualizada, que pode servir de base para outras expansões.

Pioneira

Assim como na Comgas, a Sabesp também adota o MND. A concessionária de serviços de saneamento estima que 60% das 564 obras em andamento no Projeto Tietê, por exemplo, já utilizam métodos não-destrutivos. O objetivo do projeto é a melhoria dos córregos por meio da implantação de coletores e interceptores no sistema, aumentando o percentual de esgoto coletado e tratado. “A Sabesp é pioneira no MND no Brasil, que o utiliza desde a década de 1970”, observa Flávio Durazzo, do quadro de engenheiros da Sabesp. “Sem a utilização da tecnologia não-destrutiva, a cidade simplesmente pararia.”

A larga experiência da Sabesp também pode ser constatada pelas informações fornecidas por Abiathar de Oliveira Castro, da Unidade de Gerenciamento Regional de Santo Amaro, na capital paulista, que detalha operações da concessionária na aplicação pontual da tecnologia CIPP (cured in place pipe) para a recuperação de redes de água. Segundo ele, o processo foi aplicado em tubulações de cerâmica instaladas a 2,38 m de profundidade. “E os locais que passaram pela intervenção têm um alto volume de tráfego, inclusive com a presença de uma escola de ensino médio”, diz ele.

Após diagnóstico técnico para detectar problemas na canalização, incluindo uma inspeção visual interna da tubulação, a decisão da concessionária foi pela metodologia de limpeza e adoção do CIPP, com aplicação da resina, em um processo que demorou nove minutos. A cura do material, por sua vez, durou 82 minutos no total, correspondendo à média entre uma e duas horas exigida nessa etapa.

Com a aplicação, a intervenção da Sabesp no local não durou mais que três horas, incluindo as etapas de sinalização, diagnóstico, limpeza e reabilitação da tubulação. Como resultado, a obra dispensou a abertura de valas, não gerou quaisquer resíduos e, principalmente, interferiu minimamente no tráfego da região.