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17 de novembro de 2013
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Tecnologia

Comboios semiautônomos

Em breve, caminhões controlarão fila de veículos por meio de sensores eletrônicos, reduzindo riscos de acidentes e consumo de combustível em viagens de longa distância
Por Marcelo Januário (Editor)

Uma das empresas globais que mais investem em Pesquisa & Desenvolvimento, a Volvo Trucks anuncia uma inovação que pode revolucionar o setor de transporte e a segurança nas estradas. Denominada “Platooning”, a nova tecnologia permitirá em breve a formação de comboios de veículos automotivos liderados pelos caminhões mais avançados da marca.

A novidade é fruto das pesquisas que há anos a empresa (e diversas outras marcas, diga-se) desenvolve para aumentar a comunicação eletrônica entre os veículos. Basicamente, os carros são atrelados por meio de sensores eletrônicos a um caminhão-líder, formando comboios de até oito veículos. Por meio de uma conexão sem fio, o condutor do veículo emite um sinal ao motorista do caminhão solicitando a entrada na fila. A solicitação é então mostrada no painel do caminhão e, ao ser aceita, o veículo solicitante entra no automático e o condutor pode literalmente parar de dirigir, pois os computadores do caminhão assumem o controle e passam a definir todos os movimentos dos carros que estão atrás.

Parece coisa de ficção, mas o conceito já está no horizonte das possibilidades programadas da indústria. Em 2012, inclusive, a empresa já realizou testes com um semitrailer que conduziu um caminhão e três carros por estradas europeias. “Tecnologia já existe, mas é uma questão de legislação que ainda vai levar algum tempo para mudar”, preconiza Carl-Johan Almqvist, diretor de segurança da Volvo Trucks. “Mas certamente não 30 anos.”

Um dos principais objetivos do projeto, como explica Almqvist, é a redução de acidentes causados por erros de pilotagem, um aspecto central do programa Safe Road Trains for the Environment (Sartre), que recebe financiamentos até mesmo da União Europeia. Segundo ele, o sistema também permite significativa economia de combustível (entre 10% e 20%), pois o fluxo de ar provoca menos turbulência quando o veículo está logo atrás de um caminhão longo e estreito.

Mas, afora as questões legais, há outros impeditivos para uma popularização mais rápida do conceito. Além de autoestradas de alto nível, os veículos também precisam ser mais modernos que os atuais, dotados de câmeras de vídeo e sensores a laser de modo a fornecer informações sobre os sistemas de freio e deslocamento. Com isso, a instalação dos recursos eletrônicos no veículo aumentaria o seu custo em aproximadamente US$ 5,3 mil, incluindo sistema de back up para o caso de falhas nos equipamentos primários.