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13 de julho de 2016
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Soluções Portuárias

Com a boca fora d’água

Apesar das insistentes águas turbulentas, terminais portuários do país superam incertezas e atraem investimentos para a indústria de equipamentos voltados ao setor
Por Camila Waddington

O segmento portuário é um dos poucos no país que tem mantido o volume de negócios relativamente constante, pelo menos em comparação aos demais setores. Evidentemente, o modal também sentiu o impacto da histórica derrocada econômica, mas seja por meio de produtos industrializados ou por commodities, a constatação é de que o comércio exterior (e, por tabela, o segmento de equipamentos para movimentação de cargas) vem se mantendo com a boca fora d’água.

Em tal cenário, a indústria de equipamentos tem no segmento uma válvula de escape para seus produtos especializados (e caros), mantendo os investimentos em lançamentos que atualizam as tecnologias disponíveis para os portos. A Terex Port Solutions (TPS), por exemplo, vem apostando suas fichas em soluções como o G HMK 8412, uma versão repaginada do guindaste móvel portuário Modelo 8 G HMK 8410 – este, por sua vez, derivado da geração 5, que inclui três famílias de equipamentos e oito modelos de guindastes com ampla cobertura de aplicações portuárias. Indicado para operações com navios de grande porte, com capacidade superior a 8.800 TEU’s, traz para tanto uma torre mais alta, que proporciona alcance de até 61 metros, 3 a mais que seu predecessor, obtendo um aumento de 24% na sua capacidade de carga, agora de 50 toneladas.

Segundo a empresa, o pivot mais elevado vem ampliar o campo de visão do operador para até 43 metros ao nível dos olhos, facilitando a operação, que pode alcançar com tranquilidade e eficiência até a distante 20a fileira de contêineres, dispensando o deslocamento lateral do guindaste ao longo da embarcação.

Ademais, o G HMK 8412, que opera com sistema híbrido diesel-elétrico, desloca-se sobre 12 eixos distribuídos em quatro posições de 3 eixos, que ganharam maior distância entre si, de 1.650 mm para 2.650 mm, de modo a tornar a distribuição da carga – e, portanto, do peso sobre o cais – mais uniforme, um considerável plus considerando-se as condições desiguais de piso existentes nos terminais ao redor do mundo e, principalmente, no Brasil.

Mais do que um produto revigorado, a Terex afirma que se trata de uma nova perspectiva para o segmento portuário, já muito em voga principalmente em hubs europeus e norte-americanos, mas ainda pouco explorada no Brasil. De acordo com João Pensa, gerente sênior de vendas da TPS para a América Latina, a automação de terminais portuários já é realidade em muitos países, como Holanda, Inglaterra, Alemanha, Japão, Coreia e Estados Unidos, nos quais a mão de obra tem custo mais elevado (confira Box na pág. 48). “Quando se fala em automação, ainda não há tantos exemplos na América Latina”, diz o executivo. “Mas a receptividade tem sido muito boa, o que atestamos a partir de uma negociação importante, encaminhada na Intermodal, de um pacote de diversos equipamentos automatizados e semiautomatizados para um grande cliente do setor.”