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07 de julho de 2017
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Fabricante

As estradas falam

Após solicitação, a Mercedes-Benz customiza caminhões semipesados e decide ampliar a oferta do modelo Atego; Montadora conquista contrato de 524 veículos pesados
Por Luciana Duarte

Atenta às necessidades dos clientes, a Mercedes-Benz decidiu ampliar a oferta da linha de semipesados da marca. Agora, dois novos modelos na família Atego já podem sair de fábrica nas configurações 4x2 e 6x2, equipados com cabinas padrão e estendidas. Os caminhões serão destaques na Fenatran, o maior evento de transporte rodoviário da América Latina, que acontece em outubro na capital paulista.

Por solicitação da Via Lácteos, empresa do Paraná especializada na coleta de leite em fazendas, a customização foi promovida sob a coordenação da área de CTT (Custom Tailored Trucks) da montadora. Segundo a fabricante, a parceria com o cliente foi fundamental para desenhar um pacote especial de robustez (leia Box na pág. 62) para a linha. “Eles pediram um caminhão mais ágil, seguro e confortável para atividades fora da estrada, que pudesse enfrentar operações severas de transporte”, explica Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing e peças & serviços para caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

Com uma frota de 500 caminhões-tanque circulando em áreas rurais, mas também enfrentando estradas de asfalto para entregar o produto, a Via Lácteos sentiu a necessidade de um veículo mais robusto. Após a montadora aceitar o pedido de customização, a unidade da transportadora em Matelândia, no oeste do Paraná, comprou dez veículos Atego modelo 1719 4x2 e outras dez unidades na versão 2426 6x2. “Na ocasião em que o cliente nos procurou, entendemos que um caminhão fora de estrada modelo 2730 6x4 seria muito grande e não atenderia à necessidade”, comenta Marcos Andrade, gerente de produto da Mercedes-Benz. “De fato, ele precisava de um caminhão menor com características próprias, para rodar em pisos irregulares com desenvoltura.”

O executivo explica ainda que todas as customizações empreendidas pela equipe da montadora atendem às necessidades de muitos outros transportadores. “O pacote robustez possibilitou essa venda e, possivelmente, vamos conquistar outros empresários do setor agropecuário”, comenta. “Por isso, o disponibilizamos para toda a linha Atego. Sem dúvida, há espaço no Brasil rural para muitas unidades de semipesados.”

De olho nas oportunidades, a Mercedes-Benz já mira novos nichos de mercado para posicionar os novos modelos da linha. Andrade explica que a marca vê oportunidades estratégicas também em aplicações urbanas, c


Atenta às necessidades dos clientes, a Mercedes-Benz decidiu ampliar a oferta da linha de semipesados da marca. Agora, dois novos modelos na família Atego já podem sair de fábrica nas configurações 4x2 e 6x2, equipados com cabinas padrão e estendidas. Os caminhões serão destaques na Fenatran, o maior evento de transporte rodoviário da América Latina, que acontece em outubro na capital paulista.

Por solicitação da Via Lácteos, empresa do Paraná especializada na coleta de leite em fazendas, a customização foi promovida sob a coordenação da área de CTT (Custom Tailored Trucks) da montadora. Segundo a fabricante, a parceria com o cliente foi fundamental para desenhar um pacote especial de robustez (leia Box na pág. 62) para a linha. “Eles pediram um caminhão mais ágil, seguro e confortável para atividades fora da estrada, que pudesse enfrentar operações severas de transporte”, explica Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing e peças & serviços para caminhões e ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

Com uma frota de 500 caminhões-tanque circulando em áreas rurais, mas também enfrentando estradas de asfalto para entregar o produto, a Via Lácteos sentiu a necessidade de um veículo mais robusto. Após a montadora aceitar o pedido de customização, a unidade da transportadora em Matelândia, no oeste do Paraná, comprou dez veículos Atego modelo 1719 4x2 e outras dez unidades na versão 2426 6x2. “Na ocasião em que o cliente nos procurou, entendemos que um caminhão fora de estrada modelo 2730 6x4 seria muito grande e não atenderia à necessidade”, comenta Marcos Andrade, gerente de produto da Mercedes-Benz. “De fato, ele precisava de um caminhão menor com características próprias, para rodar em pisos irregulares com desenvoltura.”

O executivo explica ainda que todas as customizações empreendidas pela equipe da montadora atendem às necessidades de muitos outros transportadores. “O pacote robustez possibilitou essa venda e, possivelmente, vamos conquistar outros empresários do setor agropecuário”, comenta. “Por isso, o disponibilizamos para toda a linha Atego. Sem dúvida, há espaço no Brasil rural para muitas unidades de semipesados.”

De olho nas oportunidades, a Mercedes-Benz já mira novos nichos de mercado para posicionar os novos modelos da linha. Andrade explica que a marca vê oportunidades estratégicas também em aplicações urbanas, como coleta de lixo, entrega de bebidas e carga em geral. “Muitas cidades têm topografia com valetas, lombadas e buracos, além de subidas íngremes, de modo que as nossas soluções cabem perfeitamente nessas aplicações”, diz ele.

Segundo Leoncini, se o mercado demandar, o pacote robustez permite utilizar um único veículo em diferentes aplicações para uso fora de estrada. “O Atego 2730 6X4, por exemplo, pode ser preparado para aplicação como plataforma, basculante ou betoneira”, exemplifica.

ENCOMENDA

Em paralelo à estratégia para os semipesados, a Mercedes-Benz também comemora o recém-fechado acordo com a Raízen, a maior produtora de etanol do país e maior exportadora individual de açúcar no mundo, abrangendo a comercialização de 524 caminhões pesados para o transporte de cana-de-açúcar, com entrega programada até setembro deste ano. Sem valor divulgado, foi o maior contrato fechado pela montadora em nove anos.

Segundo Leoncini, a negociação foi dividida em dois lotes. O primeiro inclui 286 unidades do modelo Atego 2730 6x4, que serão entregues à Transportadora Borgato para uso exclusivo nas propriedades das usinas da Raízen. Já o segundo lote, com 238 unidades do modelo Axor 3344S 6x4, será destinado a outros parceiros da produtora.

De acordo com o executivo, a proximidade com a Raízen permitiu entender o formato da operação e aprimorar as soluções de acordo com a especificidade do transporte canavieiro, tornando-se determinante para o fechamento do negócio. “Diante de um mercado tão reprimido, fechar um negócio desse porte, ainda mais em se tratando de renovação de frota, sem dúvida é prova de que estamos no caminho certo quanto ao atendimento das reais necessidades dos nossos clientes”, contextualiza Leoncini.

GESTÃO

Além de entender a aplicação em si, a montadora fez uma avaliação da gestão da frota. E o que ela viu foi um mix de frota própria e terceirizada, em um modelo de negócio que depende de mais de três mil caminhões para distribuição, apoio e produção, com média de idade recentemente reduzida de cinco para dois anos.

Para reduzir os custos, a empresa também decidiu limitar o número de prestadores de serviços. “Antes, havia mais de 280 transportadoras terceirizadas na operação e, hoje, estamos com apenas oito empresas”, conta Ian Dobereiner, diretor de operações logísticas da Raízen. “Essas empresas cuidam diretamente da gestão logística, mas nós definimos com elas os veículos mais adequados ao nosso tipo de operação, promovendo comparativos e testes e estabelecendo procedimentos de operação no dia a dia dos veículos.”

Além disso, segundo Dobereiner a aquisição de novos caminhões, seja via transportadoras ou locadoras, conta sempre com a participação da Raízen. “No caso desta aquisição, a Mercedes-Benz comercializou a maior parte dos veículos com financiamento pela linha Finame do BNDES, enquanto o leasing operacional foi feito pelo banco da montadora”, acresce Leoncini.

FOCO

A decisão em participar ativamente do processo de compra dos veículos mostra a intenção da Raízen (que já teve uma frota própria gigante) em manter esse modelo nas próximas renovações da frota. No entanto, não pensa em voltar a manter uma frota própria.

Isso porque, segundo Dobereiner, a empresa tem interesse em participar da negociação comercial, mas sem focar na atividade de transporte e logística. “Nosso processo de redução de fornecedores passou por um rigoroso critério de manter como parceiros apenas as empresas que aceitassem não só cuidar da manutenção dos veículos, mas também manter uma frota renovada”, ressalta.

Foi assim que, com a acessão da Raízen, a Transportadora Borgato comprou os modelos Atego 2730 6x4 para prestar atendimento às operações de transporte de materiais até as áreas de plantação. Já os caminhões extrapesados Axor 3344S 6x4, equipados com câmbio automatizado PowerShift, foram adquiridos por outros transportadores (não revelados) para uso exclusivo nas operações de carregamentos de cana-de-açúcar até as usinas.

Para fechar o contrato, a marca alemã ofereceu ainda um pacote completo de vendas, incluindo planos integrais de manutenção para os caminhões da linha 238 Axor, o que inclui intervenções preventivas e corretivas com atendimento 24 horas.

A rede de concessionários da marca também foi envolvida no acordo para prestar atendimento em suas oficinas em horários flexíveis, inclusive com a previsão de instalação de oficinas volantes na estrutura do cliente em alguns casos. “Todo o lote de veículos é equipado com o sistema de telemetria Fleetboard da marca, que permite monitoramento online do desempenho de cada caminhão, incluindo consumo e comportamento do motorista”, finaliza Leoncini.

AS ATUALIZAÇÕES DO MODELO ATEGO

Desenhado para operações em que o ângulo de entrada é fator crucial para o transporte de cargas e prestação de serviços de apoio, o modelo Atego promete maior facilidade de encarroçamento, em razão de seu chassi totalmente plano. Por este motivo, segundo a montadora, os modelos garantem maior produtividade em aplicações severas, incluindo fazendas, mineradoras e canteiros de obras.

Mas há outros aspectos relevantes nas novas versões. O pacote robustez também agregou um novo para-choque dianteiro tripartido, agora mais robusto, composto por plástico de alta resistência e com maior altura em relação ao solo. Uma grade metálica para proteção do farol, posição da luz de seta (agora na lateral superior da cabine) e degrau metálico para acesso à cabina também constam das modificações. Além disso, os caminhões Atego foram configurados com pneus 295/80 R22.5, mais altos e indicados para uso misto terra-asfalto, em substituição aos pneus 275 anteriormente utilizados na linha.