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09 de outubro de 2014
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Editorial

Além das fronteiras

"As exportações de bens de capital têm compensado em parte a retração no consumo doméstico, animando os empresários do setor"

Vivendo um dos maiores impasses dos últimos anos, cresce o clamor para que o setor industrial brasileiro mude de rumo, voltando-se para o comércio internacional. Uma missão que, diga-se, não é nada fácil. Afinal, com baixa inserção no mercado global, o Brasil voltou a cair no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial, amargando agora o 57º lugar, atrás de países como África do Sul (56º) e Rússia (53º).

As razões para a patinagem – que enfraquece a posição brasileira no mundo – incluem fatores conjugados que contribuem para a baixa produtividade, como elevada carga tributária, câmbio valorizado, regulação excessiva, infraestrutura precária, mão de obra deficiente, base tecnológica defasada, burocracia e outros, mas também uma protelação onerosa em relação às necessárias reformas estruturantes, que nunca chegam ao país.

Tais fatores dificultam a formação de preços competitivos para a indústria brasileira concorrer no mercado internacional. Segundo pesquisa do jornal O Estado de S.Paulo, o produto brasileiro sai em média 33,7% mais caro do que o fabricado em outros países, tanto no custo de produção como, em consequência, no preço final. No setor de máquinas e equipamentos, o custo adicional é maior e, somadas todas as etapas, chega a 37% em relação a produtos similares de países como Alemanha e EUA.

Mesmo assim, o futuro parece mesmo passar pelo comércio exterior. Afinal, malgrado o custo Brasil as exportações de bens de capital têm compensado em parte a retração no consumo doméstico, animando um pouco os empresários do setor, que estão com capacidades expandidas após os investimentos realizados nos últimos anos.

Segundo a Abimaq, no primeiro semestre o índice de maquinários exportados em todos os segmentos (móveis e estacionários) foi 19,8% superior ao mesmo período do ano passado, representando 44% do total do faturamento do setor. As máquinas para infraestrutura tiveram variação positiva de 59,6%, representando uma participação de 20,7% no total, enquanto as máquinas para logística e construção avançaram 16,1%, equivalendo a 19,7% de participação.

Com isso, torna-se visível o esforço que a indústria de bens de capital realiza para conter a retração de sua participação internacional, em um movimento que – seja qual for o resultado das eleições – precisa ser estimulado com a adoção de políticas de comércio exterior que devolvam a confiança e garantam a competitividade do produto brasileiro, incluindo melhorias estruturais e abertura a novos acordos comerciais.