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26 de setembro de 2011
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Reciclagem de Resíduos

A viabilidade do negócio em debate

Apesar das inquestionáveis vantagens proporcionadas pelo reaproveitamento de resíduos da construção e demolição, o avanço desse processo passa pela viabilidade econômica das usinas de processamento

Nos últimos anos, a reciclagem de resíduos da construção e demolição (RCD) vem ganhando cada vez mais destaque no setor e já se consolidou como uma prática usual em projetos de grande visibilidade nacional, como a reforma e reconstrução das arenas esportivas para a Copa do Mundo de 2014. Com a aprovação da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, o reaproveitamento desse material ganha um impulso legal, já que os municípios brasileiros deverão estabelecer um plano de gestão desses resíduos, fiscalizando sua disposição de forma regular e estimulando sua reciclagem.

Fora da visibilidade dos refletores, entretanto, a questão ainda é tratada de forma “exótica” no âmbito das reformas domiciliares e das pequenas obras, que são os maiores geradores de entulho no setor da construção. Todos os profissionais do setor são unânimes em apontar a reciclagem de RCD como um negócio em desenvolvimento, mas para que a iniciativa se torne uma realidade, ela precisa se apoiar nos três pilares da sustentabilidade: precisa ser ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável.

Nesse ponto reside o problema já que, se ninguém questiona os benefícios da iniciativa, seu principal entrave está na viabilidade econômica sob a ótica dos investidores em projetos de reciclagem. Para o empresário Artur Granato, da Nortec, especialista no assunto, o nó da questão está no controle da qualidade do material em sua origem. “Na maioria das reformas domiciliares e pequenas construções, o entulho é gerado com alto índice de contaminação, o que acaba inviabilizando seu reaproveitamento.”

Gargalo na triagem

Na opinião do empresário, a solução passaria pela adoção de taxas de coleta diferenciadas, de acordo com a qualidade do entulho gerado, o que requer maior fiscalização por parte do poder público. Afinal, nada adiante o município impor normas para a coleta de RCD (Lei da Caçamba), se não exercer uma fiscalização sobre a correta destinação final desse material. “Nesse cenário, a triagem do material ainda constitui o principal gargalo nas usinas de reciclagem.”

Granato explica que o serviço ainda é realizado de forma manual na maioria das usinas em operação no país, devido a sua função social na absorção intensiva de mão de obra não qualificada (catadores). “Podemos observar uma tendência para a mecanização nessa etapa do processo, com a implantação de correias que otimizem o trabalho dos catadores na remoção de materiais contaminantes”, ele completa.