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09 de junho de 2016
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A Era das Máquinas

A maior barragem do mundo

Construída entre 1931 e 1936 na divisa dos estados do Arizona e Nevada, nos EUA, a Hoover Dam era a barragem mais alta do mundo na época. Para justificar a posição, a estrutura exibe altura de 220 m, comprimento de 380 m e largura de 200 m na base e de 13 m no topo. E ainda possuía um dos maiores lagos do mundo, enquanto cada um de seus dois vertedouros tinha capacidade para escoar um volume de água equivalente ao das Cataratas do Niágara.

Sua construção serviu para proteger o estado da Califórnia das violentas inundações do Rio Colorado, além de fornecer água para irrigação e suprimento de água e energia para Los Angeles e outras cidades da região. Inicialmente, a barragem foi denominada Boulder Dam, por estar prevista para ser construída no Boulder Canyon, a uma distância de 16 km a montante do desfiladeiro Black Canyon, sua localização atual. Posteriormente, seu nome foi oficializado como Hoover Dam.

Com um investimento de 48,9 milhões de dólares, a construção ficou a cargo de um consórcio chamado Six Company. E, embora a construção tenha se iniciado em 1931, os primeiros trabalhadores chegaram à região de Las Vegas (a cerca de 50 km) no início de 1929, na esperança de conseguir trabalho em um país destroçado pela queda da Bolsa e pela Depressão que se seguiu. Não havia garantia de emprego, mas a maioria não tinha para onde ir.

Muitos desses trabalhadores chegavam com seus bens, mulheres e crianças. Os que não tinham recursos viviam à custa da caridade de algumas famílias, que lhes forneciam comida e roupas. As condições eram realmente difíceis, o que levou o governo a antecipar em seis meses o início das obras.

Naquele momento, Las Vegas era apenas um acanhado posto avançado no deserto, totalmente despreparado para receber os milhares de “novos residentes”, aos quais não restaram alternativas senão viver em “cidades” de barracas. A “favela” de Ragtown chegou a ter 5 mil habitantes, morando em barracas, barracos de papelão e chapa, que os protegiam do calor escaldante do verão e do frio das noites de inverno. Mesmo assim, logo no primeiro verão ocorreram 25 mortes devido às precárias condições. A situação era ainda pior para os poucos negros que vieram ao local, numa época em que o racismo e a segregação eram correntes, mesmo após as ordens do governo federal no sentido de aumentar o contingente de trabalhadores negros, que executava


Construída entre 1931 e 1936 na divisa dos estados do Arizona e Nevada, nos EUA, a Hoover Dam era a barragem mais alta do mundo na época. Para justificar a posição, a estrutura exibe altura de 220 m, comprimento de 380 m e largura de 200 m na base e de 13 m no topo. E ainda possuía um dos maiores lagos do mundo, enquanto cada um de seus dois vertedouros tinha capacidade para escoar um volume de água equivalente ao das Cataratas do Niágara.

Sua construção serviu para proteger o estado da Califórnia das violentas inundações do Rio Colorado, além de fornecer água para irrigação e suprimento de água e energia para Los Angeles e outras cidades da região. Inicialmente, a barragem foi denominada Boulder Dam, por estar prevista para ser construída no Boulder Canyon, a uma distância de 16 km a montante do desfiladeiro Black Canyon, sua localização atual. Posteriormente, seu nome foi oficializado como Hoover Dam.

Com um investimento de 48,9 milhões de dólares, a construção ficou a cargo de um consórcio chamado Six Company. E, embora a construção tenha se iniciado em 1931, os primeiros trabalhadores chegaram à região de Las Vegas (a cerca de 50 km) no início de 1929, na esperança de conseguir trabalho em um país destroçado pela queda da Bolsa e pela Depressão que se seguiu. Não havia garantia de emprego, mas a maioria não tinha para onde ir.

Muitos desses trabalhadores chegavam com seus bens, mulheres e crianças. Os que não tinham recursos viviam à custa da caridade de algumas famílias, que lhes forneciam comida e roupas. As condições eram realmente difíceis, o que levou o governo a antecipar em seis meses o início das obras.

Naquele momento, Las Vegas era apenas um acanhado posto avançado no deserto, totalmente despreparado para receber os milhares de “novos residentes”, aos quais não restaram alternativas senão viver em “cidades” de barracas. A “favela” de Ragtown chegou a ter 5 mil habitantes, morando em barracas, barracos de papelão e chapa, que os protegiam do calor escaldante do verão e do frio das noites de inverno. Mesmo assim, logo no primeiro verão ocorreram 25 mortes devido às precárias condições. A situação era ainda pior para os poucos negros que vieram ao local, numa época em que o racismo e a segregação eram correntes, mesmo após as ordens do governo federal no sentido de aumentar o contingente de trabalhadores negros, que executavam sempre as piores tarefas.

Finalmente o governo federal começou a construir uma vila residencial nas imediações do Black Canyon (onde ficaria a barragem), com comércio e infraestrutura adequada, de modo a oferecer melhores condições que as de Ragtown. Essa vila veio a se tornar Boulder City, hoje uma pacata cidade às margens do Lago Mead.

OBRA DIFÍCIL

A construção da barragem teve um pico de 7 mil trabalhadores e 200 engenheiros, trabalhando em condições difíceis e de extremo risco, que não obstante conseguiriam completar a obra dois anos antes do prazo previsto. Antes do início das obras, o Rio Colorado precisava ser desviado para que se pudesse escavar o leito e expor a rocha onde se assentariam as fundações. Para tanto, foram construídos quatro túneis de desvio nas paredes do desfiladeiro, que levariam a água do rio para um ponto mais a jusante.

Como não havia estradas, os trabalhadores e equipamentos tinham de ser levados pelo rio, até que fossem construídas estradas e passarelas de travessia. A execução foi um processo lento, que expunha o pessoal a riscos como quedas acidentais de rochas. Na empreitada, foram utilizadas oito plataformas com diversos níveis (Jumbo trucks), que permitiam o trabalho simultâneo de 20 a 30 funcionários em cada frente de perfuração. Uma tonelada de explosivo foi usada para cada 4 m de avanço dos túneis, que eram revestidos com uma camada de concreto com espessura de um metro.

Uma vez concluídos os túneis, foram removidas as barragens provisórias instaladas nas entradas, desviando-se o rio e fechando o leito para início das obras da barragem propriamente dita.

A estrutura da barragem consumiu cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de concreto, mais 800 mil m3 na casa de força, tomadas d’água e outras estruturas de apoio. Duas centrais dosadoras foram instaladas para a produção de concreto, que era colocado em caçambas de 3 e 6 m3 e transportadas por vagonetas sobre trilhos. No pico de produção, um sistema de cabos aéreos transportava as caçambas das vagonetas até os pontos de lançamento, na frequência de uma a cada 78 segundos.

Para viabilizar a cura em tempo hábil, uma vez que seriam necessários 100 anos para a cura sem nenhuma intervenção, foram instalados mais de 900 km de tubos com diâmetro de 1” nos blocos de concreto, através dos quais circulava água gelada. Posteriormente, esses blocos também foram preenchidos com concreto, para assegurar resistência adicional.

Outro serviço de alto risco foi a remoção de rochas soltas da face do Black Canyon, feita por profissionais (high scalers), alguns dos quais haviam sido marinheiros ou até mesmo acrobatas de circo, incluindo indígenas nativos da região. O trabalho consistia em descer pelas paredes do desfiladeiro suspensos por cordas (com ferramentas e provisões) e remover as rochas soltas ou de risco, se necessário com perfuração e detonação. Outro aspecto da construção da barragem foi a necessidade de criação de um gigantesco reservatório, o Lago Mead, com área de 650 km2 e volume armazenado de 37 trilhões de litros.

Devido às suas características, à vista magnífica e à proximidade com Las Vegas, a Hoover Dam mantém-se até hoje como um destino turístico muito procurado, com cerca de 20 mil veículos cruzando a fronteira diariamente e cerca de um milhão de visitantes recebidos por ano.

Leia na próxima edição: A versatilidade das carregadeiras