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05 de fevereiro de 2014
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Mineração Submarina

A fronteira final

Realizada já há mais de um século, exploração do leito oceânico cresce em todo o mundo como uma opção ao previsível esgotamento das jazidas em minas terrestres
Por Rodrigo Conceição Santos

Nas próximas décadas, é quase certo o advento de uma severa escassez de recursos minerais em terra, uma perspectiva sombria que vem estimulando a procura por riquezas em outras fontes aparentemente insólitas, como o fundo dos oceanos. Os esforços precursores da derradeira fronteira de extração mineral envolvem territórios como Alasca, Chile, Argentina, Rússia, Nova Zelândia, Namíbia, Papua Nova Guiné, Japão e outros retardatários, como o Brasil.

No Brasil, nos últimos quatro anos o governo federal investiu R$ 70 milhões nesse setor. No quadriênio anterior, o aporte foi menos da metade disso. Esses investimentos aplicados pelo Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia têm financiado projetos para inferir os tipos de minérios existentes no subsolo dos nossos mares (confira mapa na pág. 18). Mas ainda não há qualquer extração e, tampouco, a confirmação dos tipos de jazidas mapeadas. “Ainda estamos aperfeiçoando as pesquisas”, confirma Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais do CPRM, em apresentação no Congresso Anual do Underwater Mining Institute (UMI), evento realizado no Rio de Janeiro em outubro do ano passado.

Segundo o especialista, sabe-se que a costa brasileira apresenta muita areia carbonática com agregados ricos em fosfato, além de crostas de ferro manganês em águas mais profundas e algumas concentrações pontuais de cobalto. “Acreditamos que essa é a mineração do futuro para o Brasil, pois ainda contamos com grandes reservas minerais em terra e a serem exploradas, mas com valor reconhecidamente menor, como é o caso do manganês em Carajás”, diz ele. “Por isso, é estratégico obtermos maior conhecimento das riquezas de nossa costa.”

POTENCIAL

No país, os exemplos mais bem-sucedidos até o momento são os arquipélagos de São Pedro e São Paulo e o Continente Submerso do Alto do Rio Grande. Ambos estão localizados em águas profundas e, apesar de possuírem geologias diferentes, demonstram grande potencial de pesquisa e extração de materiais metálicos e não-metálicos. “Conforme avançam as pesquisas, torna-se mais evidente a abundância de materiais não-metálicos, como o fosfato e o potássio”, diz Carlos Augusto Fonseca, gerente de Unidade Operacional de Instrumentação Oceanográfica da CP+ (prestadora de serviços para pesquisas oceanográficas e que também atende ao CPRM).