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03 de maio de 2019
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Editorial

A disruptura hi-tech que se aproxima

Com máquinas autônomas e elétricas em operação, surge uma nova maneira de pensar. No futuro, o dealer pode já não ser pago pela venda da máquina. Em vez disso, pode ser pago para fazer muito mais, incluindo o gerenciamento de todo o canteiro de obras.

Neste momento, fabricantes e dealers de equipamentos pesados já admitem que máquinas autônomas, sistemas avançados de telemática e de operação remota, eletrificação e outras tecnologias irão transformar a fundo a indústria da construção, causando uma disruptura significativa nos modelos de negócios existentes.

De acordo com o paper “Um estudo do impacto da tecnologia autônoma”, desenvolvido pela consultoria CAVCOE (Canadian Automated Vehicles Centre of Excellence) em parceria com a AEM (Association of Equipment Manufacturers), a tendência em direção à automação e à eletrificação irá acelerar exponencialmente nos próximos anos.

Como indica o estudo, em uma década a maioria dos equipamentos pesados será pelo menos em parte automatizada e, em algum ponto nesse período, totalmente automatizada. Nos próximos dez a 15 anos, espera-se que mais de 80% dos equipamentos pesados sejam movidos por powertrain elétrico e tenham sistemas centrais de operação autônoma.

O estudo também indica que muitos fabricantes já estão buscando prover serviços aos clientes que olham além do modelo tradicional de vendas. Isto pode levar os dealers para além do negócio baseado puramente em vendas e serviços, o que ademais pode trazer grandes implicações na relação dealer-empreiteiro.

No futuro, o dealer pode, por exemplo, já não ser pago pela venda da máquina. Em vez disso, pode ser pago para fazer muito mais, incluindo o gerenciamento de todo o canteiro de obras. Até recentemente, o modelo tradicional no setor incluía a venda da máquina, o comércio de peças e o serviço. Agora, o foco já está migrando para o gerenciamento de frotas, no sentido de auxiliar os clientes a extrair o melhor de suas máquinas. O próximo passo é o gerenciamento do site, que um dia tende a se tornar a principal competência de uma concessionária.

Isso porque, com máquinas autônomas e elétricas em operação, surge uma nova maneira de pensar. E, com o tempo, o que a indústria OEM vem aprendendo será transposto para a rede de concessionárias. Com isso, a aposta é que surja um modelo de serviço específico para o trabalho que é feito, que pode incluir as máquinas e também o operador. Nesse contexto, o papel do revendedor será de ajudar os equipamentos a funcionarem efetivamente em conjunto no canteiro de obras do futuro.

Como em qualquer campo de atividades produtivas, haverá desafios e oportunidades. Para a AEM, os vencedores na década de 2030 serão as empresas que conseguirem manter-se à frente da curva, olhando atenciosamente para o impacto da tecnologia e planejando o futuro. Em direção contrária, os perdedores serão as empresas que apenas esperam pela tecnologia – e quando isso acontecer, já será tarde demais para elas. Boa leitura.