FECHAR
FECHAR
09 de junho de 2016
Voltar
Opnião

A crise no mercado de locação

Além das incertezas políticas que afastaram investimentos, visão baseada unicamente no preço criou uma relação concorrencial destrutiva e predatória no setor
Por Alisson Daniel Gomes

Talvez a melhor maneira de se entender o atual cenário do mercado de locação seja dividi-lo em aspectos distintos, compondo visões que possam embasar estratégias de amadurecimento deste importante segmento. O primeiro cenário espelha a crise resultante das incertezas políticas que, dentre outros efeitos, tornam os investimentos na construção um negócio de alto risco.

E sem projetos, não há demanda de máquinas. A necessidade de infraestrutura em nosso país é histórica, assim como a carência de projetos de urbanização em nossas cidades, que possam atrair investimentos em saneamento, energia e estrutura logística. Mas para que isso aconteça, é necessário desatar as amarras que prendem a visão profissional, produtiva e empreendedora a decisões sem planejamento, morosas e baseadas em interesses nem sempre justificáveis.

O resultado é um mercado composto por uma frota de equipamentos parados, resquício do crescimento ocorrido entre 2010 e 2013, o que nos remete ao segundo cenário. Naquele período, houve um direcionamento de investimentos para o mercado de máquinas, não só por empresas que cresceram, mas também por empreendedores interessados em diversificar seus aportes, vislumbrando opções promissoras de negócios e, muitas vezes, entrando no mercado sem uma base profissionalizada.

Sem conhecimento, seguiram metodologias baseadas em meras tendências, desprovidas de uma avaliação financeira consistente da relação de retorno sobre o investimento. Também não avaliaram adequadamente as características da operação, incluindo riscos, custos e impactos na receita, sem perceber que, no fundo, estavam perdendo dinheiro e, o que é pior, prejudicando a atividade.

Evidentemente, isso criou um alinhamento disforme no mercado, o que levou à dissolução de várias empresas, não sem antes deixarem como legado um procedimento de contratação baseado unicamente no preço, em uma relação concorrencial destrutiva e predatória. É neste ponto que se faz necessária uma avaliação mais ampla, pois a principal atividade de um locador não é simplesmente locar a máquina, mas gerenciar riscos.

No mercado de locação, basear-se unicamente em custos (fixos ou variáveis) não é suficiente, pois é preciso estar atento às peculiaridades de cada projeto, atentando minuciosamente para riscos não mensurados que podem comprometer o negócio. Uma avaliação em 360º deve levar em c


Talvez a melhor maneira de se entender o atual cenário do mercado de locação seja dividi-lo em aspectos distintos, compondo visões que possam embasar estratégias de amadurecimento deste importante segmento. O primeiro cenário espelha a crise resultante das incertezas políticas que, dentre outros efeitos, tornam os investimentos na construção um negócio de alto risco.

E sem projetos, não há demanda de máquinas. A necessidade de infraestrutura em nosso país é histórica, assim como a carência de projetos de urbanização em nossas cidades, que possam atrair investimentos em saneamento, energia e estrutura logística. Mas para que isso aconteça, é necessário desatar as amarras que prendem a visão profissional, produtiva e empreendedora a decisões sem planejamento, morosas e baseadas em interesses nem sempre justificáveis.

O resultado é um mercado composto por uma frota de equipamentos parados, resquício do crescimento ocorrido entre 2010 e 2013, o que nos remete ao segundo cenário. Naquele período, houve um direcionamento de investimentos para o mercado de máquinas, não só por empresas que cresceram, mas também por empreendedores interessados em diversificar seus aportes, vislumbrando opções promissoras de negócios e, muitas vezes, entrando no mercado sem uma base profissionalizada.

Sem conhecimento, seguiram metodologias baseadas em meras tendências, desprovidas de uma avaliação financeira consistente da relação de retorno sobre o investimento. Também não avaliaram adequadamente as características da operação, incluindo riscos, custos e impactos na receita, sem perceber que, no fundo, estavam perdendo dinheiro e, o que é pior, prejudicando a atividade.

Evidentemente, isso criou um alinhamento disforme no mercado, o que levou à dissolução de várias empresas, não sem antes deixarem como legado um procedimento de contratação baseado unicamente no preço, em uma relação concorrencial destrutiva e predatória. É neste ponto que se faz necessária uma avaliação mais ampla, pois a principal atividade de um locador não é simplesmente locar a máquina, mas gerenciar riscos.

No mercado de locação, basear-se unicamente em custos (fixos ou variáveis) não é suficiente, pois é preciso estar atento às peculiaridades de cada projeto, atentando minuciosamente para riscos não mensurados que podem comprometer o negócio. Uma avaliação em 360º deve levar em consideração desde o material em que o equipamento será aplicado até o índice de visitas da equipe mecânica, além de custos logísticos e “hora-homem” para manter a operação.

Agora, cabe a cada empresa se reposicionar conforme sua participação e o tamanho do mercado. Mesmo em crise, o mercado cria oportunidades que poderão gerar bons negócios, desde que tratadas com a devida atenção e avaliadas criteriosamente, eliminando custos e riscos operacionais, sem jamais leiloar preço.

*Alisson Daniel Gomes é diretor comercial da Escad Rental e coordenador do Núcleo Jovem da Sobratema.