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12 de novembro de 2020
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Evento

Produtividade sem dilemas

Especialistas debatem as oportunidades para a construção viária e rodoviária durante a Paving Virtual, que também recebeu ministro e promoveu lançamentos de produtos
Por Marcelo Januário (Editor)

Com ocorre em muitas outras áreas estratégicas, o Brasil tem pela frente o desafio de sair da letargia no que se refere à malha rodoviária, estagnada há décadas em um índice de aproximadamente 13% de estradas e rodovias pavimentadas. E não será por falta de tecnologia que isso deixará de ser feito. Ao contrário, o cenário de ‘tudo por fazer’ abre oportunidades para as marcas, que vêm aprimorando seus portfólios e, apesar dos inevitáveis reajustes nos preços, estão otimistas com as perspectivas no setor.

De acordo com o engenheiro Valmir Bonfim, diretor da Fremix, a malha rodoviária brasileira tem hoje uma extensão aproximada de 1,7 milhão de quilômetros. “Atualmente, a parcela de rodovias pavimentadas cresce a um ritmo em torno de 1,5% ao ano”, informou o especialista durante a Paving Virtual, evento on-line do setor. “Porém, do total pavimentado apenas 12,3% encontram-se em boas condições de trafegabilidade.”

Com as novas concessões, esse cenário pode mudar. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), o país necessita de R$ 292 bilhões em investimentos, sendo R$ 127 bilhões em duplicações, R$ 98 bilhões em novas rodovias e R$ 57 bilhões em manutenção das vias existentes.

E o governo pretende fazer 25 mil quilômetros de rodovias sob concessão até 2022, como ressaltou Bonfim. “Além de recursos, é indispensável contar com equipamentos de ponta, não só para ampliar a rede pavimentada como manter a malha existente dentro dos preceitos de fluidez, economia e segurança no rolamento”, afirmou.

MERCADO

Nesse quadro, as expectativas com as concessões dominam as atenções das fabricantes. Na visão de Thomás Spana, gerente de vendas da John Deere, o país possui ativos extremamente atraentes para os investidores. “O maior desafio é a logística, pois é um país continental, com muitas oportunidades de ter uma infraestrutura melhor”, acentuou.

Tanto que algumas fabricant


Com ocorre em muitas outras áreas estratégicas, o Brasil tem pela frente o desafio de sair da letargia no que se refere à malha rodoviária, estagnada há décadas em um índice de aproximadamente 13% de estradas e rodovias pavimentadas. E não será por falta de tecnologia que isso deixará de ser feito. Ao contrário, o cenário de ‘tudo por fazer’ abre oportunidades para as marcas, que vêm aprimorando seus portfólios e, apesar dos inevitáveis reajustes nos preços, estão otimistas com as perspectivas no setor.

De acordo com o engenheiro Valmir Bonfim, diretor da Fremix, a malha rodoviária brasileira tem hoje uma extensão aproximada de 1,7 milhão de quilômetros. “Atualmente, a parcela de rodovias pavimentadas cresce a um ritmo em torno de 1,5% ao ano”, informou o especialista durante a Paving Virtual, evento on-line do setor. “Porém, do total pavimentado apenas 12,3% encontram-se em boas condições de trafegabilidade.”

Com as novas concessões, esse cenário pode mudar. Segundo a CNT (Confederação Nacional do Transporte), o país necessita de R$ 292 bilhões em investimentos, sendo R$ 127 bilhões em duplicações, R$ 98 bilhões em novas rodovias e R$ 57 bilhões em manutenção das vias existentes.

E o governo pretende fazer 25 mil quilômetros de rodovias sob concessão até 2022, como ressaltou Bonfim. “Além de recursos, é indispensável contar com equipamentos de ponta, não só para ampliar a rede pavimentada como manter a malha existente dentro dos preceitos de fluidez, economia e segurança no rolamento”, afirmou.

MERCADO

Nesse quadro, as expectativas com as concessões dominam as atenções das fabricantes. Na visão de Thomás Spana, gerente de vendas da John Deere, o país possui ativos extremamente atraentes para os investidores. “O maior desafio é a logística, pois é um país continental, com muitas oportunidades de ter uma infraestrutura melhor”, acentuou.

Tanto que algumas fabricantes, como a Dynapac, já fazem planos para aumentar a linha de produtos e se adequar melhor ao tipo de trabalho realizado em concessões rodoviárias. “Sempre mantivemos os investimentos em produção no Brasil”, disse Carlos Santos, gerente comercial da empresa. “Mesmo com as crises, sempre acreditamos que o mercado brasileiro vai [decolar]. É um mercado bom, um mercado rico.”

Segundo o ele, a Dynapac traz pavimentadoras da Alemanha justamente para atender a esse tipo de cliente, que – segundo ele – é mais rigoroso quanto à qualidade do pavimento. “Isso também exige equipamentos de qualidade, para ter uma pista bem plana, com segurança e conforto de rodagem, que a concessionária precisa entregar aos usuários”, completou.

Para Santos, obras privadas também são mais receptivas à tecnologia. “Estamos tendo sucesso em trazer máquinas menores para pavimentação urbana”, contou. “É uma questão do dia a dia. Tem de ofertar e convencer o cliente.”

É nesse convencimento que está o ‘xis’ da questão. Para Adriano Correia, diretor comercial da Ciber Equipamentos Rodoviários, quando se fala em soluções para concessões rodoviárias é preciso considerar que existe uma tecnologia adequada para cada mercado. “É preciso avaliar a maturidade de cada mercado para trazer a tecnologia correta”, afirmou. “É o caso de fresagem e reciclagem, que há 30 anos era uma tecnologia nova, mas hoje já é comum, todo mundo conhece.”

Especialistas debatem a conjuntura para obras rodoviárias e oportunidades em pavimentação

Isso fica claro com a recicladora 380, pontuou o especialista, uma solução de ponta que permite fazer a reciclagem do pavimento em uma passada. “A questão de produtividade não é um dilema, pois você tem”, acentuou. “O que precisa ser avaliado é o que o mercado está demandando, o que pode ser oferecido para se ganhar produtividade.”

O especialista citou ainda o caso da reciclagem com espuma de asfalto, uma solução nova no mercado brasileiro. “Vai muito da oportunidade, do momento em que estamos, de qual atividade necessita dessa produtividade”, observou.

De acordo com Correia, desde 2015 o mercado vem mudando, com o predomínio de obras ‘mais superficiais’, sem investimento maior. “Quando se vai para o viés que temos hoje nas obras, os equipamentos acabam ficando subutilizados”, avaliou. “Nem é questão do porte, pois o equipamento poderia produzir muito mais. É uma questão de processo.”

Isso também afetou o parque de máquinas como recicladoras, por exemplo, praticamente estagnado. “E os clientes dizem que não conseguem ganhar produtividade... mas não é só o equipamento. É o processo como um todo da pavimentação dentro da concessão”, citou. “Temos muita oportunidade de ganhar em produtividade, pois todos sofrem com o baixo rendimento, que acaba aumentando o custo da obra.”

TECNOLOGIA

Até porque o avanço tecnológico é notório. Atualmente, os equipamentos estão conectados à internet, o que permite acessar informações das máquinas pela rede ou, até mesmo, fazer um diagnóstico prévio de forma remota. “O usuário e o distribuidor podem controlar melhor a frota no que se refere ao consumo de combustível, por exemplo”, citou Santos, da Dynapac.

Em rolos compactadores, ele apontou, é possível verificar a dureza relativa do solo em algumas situações, uma forma de quantificar o grau de compactação, assim como o número de passadas já realizadas. “Hoje, você consegue medir tudo isso remotamente”, complementou. “A engenharia que está no escritório consegue identificar isso.”

Segundo Spana, da John Deere, o consumidor brasileiro é ávido por tecnologia. “O bloqueio e desbloqueio automático do diferencial como item de série em motoniveladoras, por exemplo, pode parecer algo simples, mas é uma inteligência artificial no equipamento, que olha para o que o operador está fazendo, trabalhando de forma preventiva”, afirmou.

No entanto, segundo Paulo Roese, gerente de pavimentação da Caterpillar para Brasil, Paraguai e Uruguai, o mercado brasileiro ainda está amadurecendo. “A tecnologia tem de sair do operador para uma coisa mais autônoma, que prescinda da interferência humana”, sublinhou.

Nesse aspecto, ele citou os sistemas que estão sendo desenvolvidos para monitoramento da compactação. “Já é um segundo passo, o semiautônomo. Você coloca um sistema e um satélite, passando a depender menos do operador”, disse. “E mais para frente, isso vai acontecer.

Essa é a ideia. Liberar o operador para outro tipo de trabalho.”Enquanto isso não se torna realidade, o setor avança em outros campos. Hoje, como disse Roese, todas as máquinas já saem com sensor de temperatura, que é um item importante por agregar qualidade ao processo. “Saber quando entrar com a máquina, quando parar, se a massa está muito quente ou fria”, ilustrou. “Um item simples que dá resultado.”

Como contraponto, Roese frisou que se fala muito em tecnologia, mas muitas vezes se esquece do mais básico, que é capacitar os operadores. “Gastam-se dois ou três milhões em uma fresadora e não é dado um único treinamento para o pessoal”, cutucou. “São pequenos investimentos, mas com grandes resultados.”

Além de superar paradigmas quanto ao número de pneus e peso dos equipamentos, o especialista disse ainda que o mercado brasileiro precisa enfrentar alguns conceitos ultrapassados. “Mudar conceitos é difícil. A pessoa muda na sua frente, depois você vai embora e ela vai voltar a fazer igual antes”, disse. “Ou então, se vende a máquina com sensores, para que o asfalto seja como um tapete. Daí você treina o pessoal e, depois, o empreiteiro vai e guarda os sensores. Não usa os sensores.”

AQUISIÇÃO

Por falar em venda, merece registro o debate sobre os impactos da oscilação cambial na demanda. Afinal, atualmente a cadeia de produção é global e dolarizada, para o bem e para o mal. “A máquina é produzida no Brasil, mas boa parte dos componentes vem de fora”, ressaltou Santos, da Dynapac. “E isso vai ser repassado.”

Segundo Spana, da John Deere, frente à situação não restaram alternativas às fabricantes senão as correções de preço, que estão sendo feitas ao longo do ano e, provavelmente, continuarão nos próximos meses. “Não é o que os clientes gostam de ouvir, mas não existe alternativa”, destacou Spana. “Mas são correções, e não aumentos. Os preços – e estou falando em valores absolutos – ainda são praticamente os mesmos de 2011. E desconheço qualquer setor de bens de capital que venda praticamente no mesmo preço que era há dez anos.”

Para o executivo, a correção era necessária para que as fabricantes possam continuar a investir no país. “Depois que tudo isso passar, provavelmente estaremos em um mercado muito melhor”, conjecturou.

Quem também apontou os impactos do dólar foi Correia, da Ciber. Segundo ele, produtos importados podem ficar mais caros da noite para o dia, sem qualquer ação da empresa. “O que a gente precisa é ter uma economia estável”, ponderou. “Com isso, nosso cliente consegue se planejar, pegar uma taxa de financiamento.”

Todavia, o custo não é o item mais importante, disse ele, mesmo com a correção do valor do equipamento. “Há a crise do preço do asfalto, por exemplo, que todos os clientes sofreram”, afirmou. “É um complicador muito maior no processo.”

Para Correia, não há muito o que fazer quanto a isso, mas ao menos é possível ‘trabalhar a tecnologia’ junto ao cliente, fazendo com que o preço inicial da máquina não seja o mais importante, sendo diluído no processo pela produtividade. “O mais importante passa a ser o suporte dado a esse cliente, permitindo que realmente use a tecnologia”, disse. “O cliente pensa: ‘paguei caro nessa máquina, mas estou vendo resultado no meu bolso’.”

Romanelli lança novos produtos para o segmento

Em um lançamento inédito para a marca, a Romanelli apresentou seis novos produtos da Linha Amarela na Paving Virtual. Os lançamentos incluem as vibroacabadoras VR 300 E (versão esteira) e VR 300 P (versão pneu), equipamentos com capacidade de produção de 300 t/h e voltados para obras de pequeno e médio porte. Os modelos oferecem abertura mínima unilateral de 1,2 m, mesa de 2,4 m a 4 m, sistema de aquecimento na esteira de alimentação e sensor ultrassônico, além de motor Yanmar a diesel de 82 hp e silo de 3,67 m³. “Devido à esteira, a VR 300E atua em qualquer tipo de terreno, pois tem maior facilidade de aderência, distribuição de carga e tracionamento”, afirmou o diretor comercial José Carlos Romanelli. “Em relação às demais características, os equipamentos são semelhantes.”

Em versão com esteiras, vibroacabadora VR 300 E é uma das novidades da Romanelli

A marca também apresentou os rolos compactadores RCR400C (pneu/cilindro) e RCR400T (tandem/cilindro). Segundo Ilson Romanelli, diretor industrial da empresa, os equipamentos têm peso operacional de 4.000 kg e contam com motor Yanmar a diesel de 4 cilindros e 47 hp, articulação central de 35º, frequência de vibração de 68 Hz, computador de bordo, tecnologia Eflow e cabina ROPS/FOPS de série, além de ângulo de visão com 23º, freio hidrostático dianteiro e traseiro e parada de emergência.

Por fim, a empresa exibiu os rolos tandem RCR 160T (com peso operacional de 1.600 kg) e RCR200T (2.000 kg), que contam com motor a diesel Yanmar de 3 cilindros e 22 hp e frequência de vibração de 68 Hz. “As máquinas são pequenas, mas contam com cilindro de alta frequência encontrado em equipamentos bem maiores”, finalizou Ilson Romanelli.

Alimentador móvel ainda não emplacou no Brasil

Apesar de sua reconhecida utilidade em obras de pavimentação, ainda não existe uma cultura no Brasil para soluções de transferência de massa asfáltica. Também chamado de alimentador móvel, o equipamento evita que haja contato da pavimentadora com o caminhão, o que provoca ondulações na via. “Isso elimina os solavancos na estrada, com perfil longitudinal mais controlado”, explicou Carlos Santos, gerente comercial da Dynapac. “E como as concessionárias são mais rigorosas com a qualidade do asfalto, vão começar a exigir isso.”

Alimentador móvel de massa é raridade nos canteiros brasileiros

De acordo com Paulo Roese, gerente de pavimentação da Caterpillar para Brasil, Paraguai e Uruguai, a Weiler – parceira da Cat nos EUA – é uma das fabricantes que oferecem veículos para transferência de material. “Por uma falha nossa, a gente não promove muito no Brasil esse tipo de equipamento, que é fundamental quando se quer uma pavimentação de qualidade”, admitiu. “Precisamos ver a oportunidade do negócio e começar a focar mais nisso.”

Por sua vez, o diretor comercial da Ciber Equipamentos Rodoviários, Adriano Correia, reforçou que o alimentador móvel de massa é muito utilizado no exterior, mas fez uma observação quanto ao seu potencial no Brasil. “Aqui, tem pavimentação que anda três metros, daí para, fresa, para”, disse. “Então, de que adianta um alimentador de massa para fazer isso? Não tem continuidade, o processo é sempre descontínuo.”

País terá muitos leilões de infraestrutura em 2021, reforçou ministro

De acordo com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a infraestrutura vai ser uma alavanca importante para a retomada. “Teremos muitos leilões no próximo ano. Atualmente, são 30 ativos em análise no Tribunal de Contas da União (TCU)”, comentou o ministro durante a Paving Virtual. “Isso representa mais de R$ 70 bilhões em investimentos. E não é difícil supor que vamos chegar à meta de contratar R$ 250 bilhões de investimentos até 2022.”

Ministro destacou que prioridade é retomar obras paradas

Ele lembrou que o Ministério já fez 32 leilões de concessão até o momento, chegando a setembro com 93% do orçamento executado, o que corresponde a 66 obras entregues até o momento. “Se o ano acabasse hoje, já teríamos entregue mais de uma obra por semana”, acrescentou, ressaltando ainda a importância de finalizar as obras de infraestrutura em andamento. “Teremos novas obras no próximo ano para combater mazelas antigas”, disse Freitas, destacando que obra barata é obra rápida. “Mas nosso foco está naquelas que estão rodando, porque num cenário de pouco recurso não podemos pulverizar o dinheiro em um monte de projetos e não finalizar.”

Saiba mais:
Paving Virtual: www.pavingvirtual.com.br